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Descoberta científica pode revolucionar a extração de terras raras

Descoberta científica pode revolucionar a extração de terras raras

Você talvez não perceba, mas os elementos de terras raras estão em quase tudo no nosso dia a dia: celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, computadores. A lista é longa. Apesar do nome, eles não são exatamente “raros”, o grande problema é que extraí-los e purificá-los é caro e complicado.

Agora, uma descoberta promissora pode mudar esse cenário. Pesquisadores da Northeastern University, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo método para extrair esses elementos a partir dos resíduos da mineração de carvão e o mais impressionante: o processo pode ser até três vezes mais eficiente do que os métodos usados hoje.


O tesouro escondido nos rejeitos de carvão

Os chamados rejeitos de carvão são formados por uma mistura de rocha moída, água e partículas de carvão. Grandes quantidades desse material ficam armazenadas em fossas, justamente para evitar danos ao meio ambiente.

Atualmente, boa parte desse “lixo” acaba sendo usada em materiais de construção ou simplesmente vai para aterros sanitários. O curioso é que esse descarte esconde um enorme potencial: estima-se

e que mais de 600 mil toneladas de terras raras poderiam ser extraídas a partir de cerca de 1,5 bilhão de toneladas desses resíduos, algo que os métodos tradicionais não conseguem aproveitar bem.


Como funciona o novo método?

O processo criado pelos cientistas acontece em duas etapas principais:

Primeiro, os rejeitos de carvão passam por um pré-tratamento alcalino, enquanto são aquecidos por micro-ondas.

Depois, entra em cena um tratamento com ácido nítrico, que separa os elementos de terras raras do restante da rocha.

Segundo os pesquisadores, esse pré-tratamento faz toda a diferença. Ele altera a estrutura dos minerais que “prendem” as terras raras, deixando o material mais poroso e fácil de trabalhar.

Como explica a bióloga química Damilola Daramola, da equipe de pesquisa:

O que realmente acontece é uma mudança na estrutura sólida do material, o que facilita a liberação desses elementos.


Neodímio e o impacto na tecnologia verde

Entre os elementos extraídos está o neodímio, essencial para a fabricação de ímãs de alta potência usados em carros elétricos, turbinas eólicas, computadores e outros dispositivos modernos. Ou seja, essa descoberta pode ter um papel importante na transição para tecnologias mais sustentáveis.

Apesar dos resultados animadores, ainda existem desafios. O processo, embora mais eficiente, continua caro e pode ser difícil de aplicar em larga escala. Além disso, a composição dos rejeitos de carvão varia bastante de um lugar para outro, o que significa que o método precisaria ser adaptado para cada região.

Outro ponto importante é que esses resíduos também contêm outros elementos valiosos, como o magnésio, que idealmente deveriam ser extraídos junto com as terras raras, algo que ainda precisa ser melhor estudado.


Um passo importante para o futuro

Mesmo com essas limitações, o avanço é motivo de comemoração. A demanda por terras raras só cresce, e tudo indica que precisaremos de muito mais desses elementos nos próximos anos.

Como destacam os próprios pesquisadores, essa abordagem abre novas possibilidades para entender melhor como liberar e extrair terras raras de forma mais eficiente, aproveitando resíduos que antes eram vistos apenas como problema.

Uma descoberta que une inovação, sustentabilidade e reaproveitamento de recursos, e que pode fazer muita diferença no futuro da tecnologia.

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